Tem dias que a solidão te conforta, e em outros ela te confronta
Tem horas que passam tão rápido quando se pensa em alguém, e tem horas que a lembrança de alguém te sufoca de tal maneira que chega a ser apavorante
Uma cama com o lado da pessoa arrumado, enquanto seu travesseiro permanece molhado de lágrimas
A casa vazia, o piso gelado e aquele velho moletom hibernando em seu corpo há dias
Na parede só o filme que suas memórias projetam, mudo, em tons de cinza, sem final feliz
As cartelas de remédio foram esvaziadas
Você cava ao fundo de sua pele pra tentar achar o toque daquela pessoa, e o perfume já saiu de você
Cartas, declarações virtuais, fotos, tudo é uma maldita esperança
Você repete que nunca mais vai amar alguém
Você cai, e de repente todos aqueles clichês vêm como um tapa forte na cara
Não poderia haver desgraça maior que sua própria ilusão
Recomponha-se!