terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Deprimindo o ócio

Danço com a solidão enquanto permaneço imóvel, numa cama cheia de objetos que me enchem de lembranças imemoráveis
O descontentamento de não querer ser nada mais do que se é. De não querer ser coisa alguma
A covardia de não querer enfrentar o mundo e não desejar sentir, e dizer que sente muito
A forma do corpo no colchão que acolheu diversas formas de acalento
Lágrimas de impotência de uma pessoa acomodada demais pra tentar ser ao menos impotente
Ouvidos que nada fazem além de escutar o barulho da descarga que leva embora meus fluídos inesgotáveis
Olhos cansados da maldita tela e da luz incandescente, que passaram a não enxergar minha imagem no espelho
Descaso
Solidão
Abandono
Desistência
Qualquer coisa que aconteça, não precisa acontecer pra me fazer infeliz


Amor agridoce

Eu estive esperando um amor... Em algum momento da minha vida eu o encontrei, e em vários momentos o perdi. Mas ele nunca desapareceu por completo da minha mente e dos meus sentimentos.
-É como se eu estivesse em um filme, ou um drama adolescente, quando estamos juntos. Eu dizia ao meu amigo, mas nunca disse ao amado.
E em todos os momentos, eu duvidei do seu amor. E em todos os momentos eu queria estar com ele.
O mínimo objeto me trazia sua lembrança, ele estava presente em todas as coisas visíveis do mundo. Por muito tempo eu senti seu cheiro e desejei que aquele mesmo cheiro estivesse presente nas minhas roupas, assim como era quando ele me abraçava tão forte, aquele abraço que só ele podia dar.
Sempre foi tudo muito conturbado, mas ainda sim, foi lindo e especial em cada detalhe. Então eu nunca consegui explicar em poucas palavras ou apenas em palavras o que ele significava pra mim.
E ainda hoje, eu o sinto em cada parte da minha existência.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Levanto da cama
Mãos no guarda-roupa
Choro descontrolado
Soluços
Barulho feio
Vou ao banheiro
Desnuda
Ligo o chuveiro
Choro descontrolado
Soluços
Barulho feio
Tento entender por que estou chorando
Choro um pouco mais 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Então é isso.
Eu gosto desse vazio e desse descontentamento
Meus olhos não secam e meu corpo permanece na mesma posição
Eu tenho alguém
Mas eu não o pertenço.
Eu tenho sentimentos, mas os desconheço
Eu beijei várias bocas, pousei em alguns corpos
Mas o que chamo de amor ainda não me encontrou por inteira
E o que tenho dito da vida, agora são só meias palavras.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Humana demais

Sou uma inútil, um nada em meio a um vazio.
Me afogo em minhas próprias lágrimas, e nado
Nado em busca de ar, mas me sufoco mais e mais, e mais...
Sou uma infeliz, uma farpa no dedo indicador.
Aquela que todos querem se ver livre, longe.
Me afundo em meu colchão, encolhida, com a cara no travesseiro, e choro.
E repito: Por deus, nunca me vi tão só. E choro.
Sou uma pessoa frágil, humana demais, sensível em vão.
E finjo meus sorrisos em busca de outro que possa me confortar.
Acredito demais e ao mesmo tempo desconfio de tudo, de qualquer pessoa.
Não sou igual a ninguém, não me encaixo em nenhum círculo, em nenhuma conversa, nenhum abraço. Eu corro. Não me alcanço.
Minha diversão é dormir, olhar pro teto, lembrar de coisas inalcançáveis, irrealizáveis, ilusórias.
Eu crio amores que nunca darão certo, beijos que nunca aconteceram, trilha sonora pra uma cena exageradamente romântica e impossível.
Eu amo em vão, eu não amo, eu sou egoísta, cruel, impulsiva. Eu só preciso de atenção.
Eu sou um monstro, uma anti heroína, uma própria fantasia que criei pra me salvar de mim mesma.

Amizade?

Não sei como expressar tudo de ruim que existe em mim.
Mas no momento, o que mais me inquieta é esse preconceito disfarçado de 'outra vibe' que vem daqueles que eu sempre chamei de amigos. Não é a primeira e nem será a última vez que isso acontece.
O engraçado é que por eu ser eu mesma, eu sou afastada, julgada, hostilizada. É engraçado porque há um ou dois anos atrás, eles eram como eu, cada um tem sua essência, mas agora estão preocupados demais com drogas, drogas, drogas. Isso me cansa! Não, não sou moralista, muito menos contra drogas, e afins. Mas estou cansada de verdade de não me encaixar no 'grupinho' porque não fumo um, porque não costumo escutar Bob Marley, Pink Floyd e todas essas "bandas boas", porque o que eu escuto é lixo, uma bosta, emo, o caralho a quatro. É horrível eles largarem mão de você porque você continua sendo o que é, sendo que eles estão cada vez mais diferentes, na verdade sendo igual a todos. Seguindo a mesma modinha, vestindo a mesma máscara fútil que eles chamam de "inteligente".
É ruim ser aquele amigo indesejado, que só sabe reclamar, chorar, responder tudo com sarcasmo, tentar se encaixar onde você jurava que era seu lugar. É ruim ver que pessoas por quem você fez muito, se quer pensar em fazer algo por você.