quinta-feira, 27 de março de 2014

Quinta-feira

Sol
Desânimo
Suor
Pessoas
Cigarro
Sol
Descanso
Cansaço
Cigarro
Café
Pessoas
Garoto
Papéis
Preocupação
Desânimo
Decepção
Mudança
Desordem
Sol
Limpeza
Confusão
Pessoas
Falatório
Tristeza
Desânimo
Tinha um garoto
Ele nem era tão bonito, era bem comum, comum até demais
Eu vivia tentando enchê-lo de predicados, inventando problemas que ele sequer sonhou em ter
Eu gostava dele, de alguma forma, mas eu nunca soube o que ele sentia por mim
Mas esse garoto, agora não mora mais em mim

quarta-feira, 26 de março de 2014

Outra sobre depressão

Sento no sofá, escuto alguma música triste e derramo algumas lágrimas discretas, porém não menos dolorosas.
O dia passa devagar e as pessoas perguntam pela minha visível tristeza, eu desvio o olhar, e solto um: -"Nada não" quase inaudível.
As pessoas me oferecem cigarros e bebidas, mas eu tenho os meus próprios e não quero dividir, não quero me misturar, deixa pra lá.
Dou um trago no cigarro como se tragasse minha tristeza, e por um instante até funciona. Mas olha, meu maço já acabou e a tristeza ainda não.

domingo, 23 de março de 2014

Segunda-feira

Sabe, hoje eu tirei o dia para ter um bom dia.
Sem preocupações, sem aparências ou qualquer coisa que possa me reprimir.
Eu me pergunto: por que diabos não faço isso com frequência? O que me impede? O que me falta (ou me sobra)? 
Bons dias não são aqueles dias felizes, talvez passem longe disso, ou talvez seja indefinível, afinal, sempre tive aquela opinião de que coisas boas não são facilmente descritíveis, e se são, são vagos demais. 
Eu me preocupo tanto em ter um bom dia, que talvez por isso, os evito. Que besteira, eu preciso fingir pra quem? Se eu disser que estou tendo um bom dia, todos os dias, então ele se torna desvalorizado, tsc. 
Gosto daqueles dias em que eu abro os olhos, levanto e quando confiro a vista da janela, me surpreendo e sorrio por ver algo que me agrade. Não, não estou falando de um céu azul brilhante e árvores balançando suavemente, nem de um céu nublado, cinza e melancólico. Mas como assim? Claro, acho ambos os céus lindos e responsáveis por um bom dia, mas vai além disso. Talvez um dia bonito seja consequência do meu estado de espírito, do que tenho que fazer no dia, dos sonhos que sonhei ou não. 
Quando tenho um bom dia, é normal que apareça a nostalgia, que aliás, é consequência do clima, do céu, e de tudo que me cerca. As músicas, ah, as músicas, estas são responsáveis por manter meu dia bom. Gosto de ouvir músicas calmas, tranquilas e sinestésicas.
Mas tenho um detalhe, um detalhe muito cruel. Meus bons dias me fazem sofrer em dobro quando lembro deles, e quando os lembro, é porque estou em um momento de melancolia e tristeza profunda. Ainda sim, sonho com eles e quando os tenho, seguro com todas as forças pra não me escaparem da memória, depois.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Por hora

Odeio essa sensação
Sensação de estar explodindo
Sensação de vazio angustiante
Odeio essa aversão
Aversão ao novo
Ao novo que eu desejo conhecer
Aversão a tudo que me instiga
Odeio essa impressão
De nunca ter causado uma boa impressão

quinta-feira, 20 de março de 2014

Bem-vindo, outono.

Acordei com chuva, com um vento suave, céu nublado, parecia aqueles cenários de filme dramático que te faz chorar e refletir sobre seus propósitos. Não queria levantar, mas queria acordar pra poder contemplar e sentir aquela tarde linda e melancólica.
Com esforço, levante, enrolei, me cobri de indisposição e fui.
Não era tão ruim quanto imaginei, era pior. Saberia que iria ficar tão indisposta quanto quando pensei em levantar.
Depois de tomar chuva, levar jatos d'água de vários carros e ter a aparência piorada (ainda mais), vi que não poderia piorar, mas ah, sempre pode.
Como disse uma menina, enquanto eu escutava alguma música que falava sobre o Outono: Têm músicas que combinam com a estação. Poxa, verdade, inclusive o cabelo, a aparência e o humor. Mas não vou julgar, eu amo o outono, é minha estação preferida, minha e de todos os depressivos melancólicos.
Queria poder escrever com as mais belas palavras, queria sim, pois é 'O outono', mas não consigo pensar em nada, além de como eu esperava por essa estação e pelas árvores lindas de novo, coisa que não consigo ser.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Lascivo

Me beije.
Vem, acaba logo com essa vontade excruciante,acaba com esse meu ínfimo instinto avançante, sem mais.
Me beije.
Deixe que nossos corpos respondam à essa troca de olhares, essa troca de risos jogados na roda.
Me beije.
Se aproxime, deixe que eu sinta melhor esse cheiro inconfundivelmente delicioso e tentador.
Me beije.
Não me deixe ficar sem graça na tua presença, desviando do seu corpo culpado, para disfarçar.
Me beije.
Mas agora me beije de verdade, enquanto mato minha vontade mais carnal, mais esperada e desejada.
Me beije pra valer.
Se aproxime e conduza a dança de nossas línguas, conduza o beijo, quero me submeter à reciprocidade.
Me beije como queira.
Eu quero apenas atormentar o que me atormenta, na sua boca ou extensivamente fora dela.
Mas por ora, me aquiete.

Já está na hora de eu pensar em dormir, mas antes tem todo o ritual.
Tomo banho, escovo os dentes, confiro as atualizações nessas redes sociais, reclamo um pouco, jogo alguma coisa, penso no que tenho que fazer amanhã; e se não tenho nada, então enrolo mais um pouco.
Hoje está chovendo, então irei dormir melhor, como se eu esperasse por alguma chuva que aliviasse o calor desgraçado que eu sentia, que me fazia suar os peitos e o resto, me grudava e enojava. Mas hoje não, hoje tomei um ótimo banho, esperei a chuva chegar e me acolhi nela, vou dormir bem, que alegria.
Espera, meus olhos estão pesados, minha mente também, vish, não será agora. Hey, chuva! Não vá embora agora não, a insônia veio me visitar, vou dar um pouco de atenção à ela, depois volto pra lhe acolher. 

terça-feira, 18 de março de 2014

Desabafo

Tento levantar da cama, ultimamente meu cansaço físico-mental me consome, pra não dizer que sou apenas isto. Eu me pergunto quando vou deixar esse comodismo de lado e parar de colocar a culpa no que tenho pra fazer. Afinal, o que tenho pra fazer? 
Ah, mas é verdade, eu estudo muito, pego circular lotada, todos os dias, ando demais, leio demais, estudo demais, reclamo demais, apenas isso. É claro, não faço tudo com nem sessenta por cento da minha capacidade real (o que não é muito) e mesmo assim ainda invento desculpas pra tudo. Me encho de perguntas que sei que não vou conseguir responder, assim como as promessas que faço em vão, como as metas que nunca irei cumprir, ou como toda essa reclamação de coisas que já me acostumei. 
Eu preciso de espaço pra poder me sufocar.

Mais uma sobre depressão

Então eu caio.
Sofro um pouco, até o efeito bater, depois já era, bateu.
Então eu me levanto.
Sofro um pouco, até recuperar a consciência, depois já era, já foi.
Então eu caio novamente, caio até tomar consciência de que não posso me levantar permanentemente, apenas o suficiente. 
Suficientemente eu caio em si.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Diálogo com o sono

-Eu deveria dormir, sim, deveria. Eu deveria dormir, logo (na verdade, sempre devo). Meus devaneios não deixam. Poxa!
-Você quer dormir, não, não precisa ter pressa, só tenha consciência de como irá acordar logo menos.
- É verdade, droga! Não, não quero dormir, mas eu preciso. 
-O que te impede?
- Meus devaneios. Mas na verdade, eles me impedem de qualquer coisa real o suficiente pra manter minha sanidade aparentemente aceitável.
-Então está culpando seus devaneios pela sua falta de sono?
-Não! Em momento algum eu disse que o culpava, e estou com sono, ainda.
-O que era pra ter dito?
-Estou tentando um acordo com ele, mas vi que não funciona.
-Com quem? Seus devaneios?
-Exato!
-E como estão reagindo?
-Bom, eles são teimosos, mas eu sou mais ainda. Os convenci a entrarem na minha vida e me despertarem.
-Como assim?
-Eles me mantém sonhando, e algumas vezes, fazem hora-extra. 
-Como?
-Como agora.

Sobre a vontade de escrever em um Blog

É, meu nome é Paola, tenho 18 anos e escrevo em um Blog desde os 13. 
Fico pensando, por que diabos eu fiquei tanto tempo sem escrever? Talvez (não, é) porque eu escrevo tão mal, a ponto de ninguém entender o que expresso (isso porque eu sou melhor escrevendo do que falando) e, bom, isso é o que meu pessimismo rotineiro me permite pensar. O fato é, eu escrevo muito, aos montes, sem parar, incontrolavelmente, sobre tudo, de todos os estilos possíveis de escrita, de soneto à crônica. Nunca tive preconceitos, aliás, essa minha liberdade fode minha mente e não me permite terminar um bom texto ou uma boa conversa. Quero sempre vomitar as palavras, atropelar a ordem dos argumentos, bagunçar e construir pra demolir, é contraditório, mas eu realmente sou.
 Eu sinceramente não sei o que vou escrever, mas quero escrever, e isso importa. Quem sabe com algumas doses de incentivo eu continuo minha escrita. Agora o que me incomoda, eu escrevia bem melhor aos 13 do que agora, mas afinal, a tendência é piorar.