domingo, 30 de novembro de 2014

Paixões anuais

Eu disse que não esqueceria
Disse até que ele era tão lindo que chegava a doer
Sério, eu disse, e não faz tanto tempo.
Na verdade, foi antes do cara anterior que beijei.
Ah, esse cara, ele era diferente. Sim, ele era...
Maldito! Não me responde, não me chama.
Ele que vá à merda. Mimadinho do caralho.
Opa, aquele ali é tão lindo, e beija tão bem.
Hm, acho que combinamos. Que sexo incrível.
Babaca, não me dá atenção. Mais do mesmo, ótimo.
E aquele que fiquei sério por um tempo?
O que me envolvi virtualmente e foi mais intenso do que qualquer outro?
Ou aquele que fiquei e não quis olhar na cara?
Quem sabe até o que me fez não ficar a fim de ninguém?
E todos os beijos que experimentei nesse tempinho?
Será que eles ainda habitam a mente alheia?
Será que todos os elogios a respeito de mim eram verdadeiros?
Quantas vezes encanei por um garoto
Pra no fim eu apenas dizer: ele beijava mal/ era um babaca/ ruim de cama/ tinha bafo/ imaturo
Ou qualquer outra desculpa pra torná-lo menos interessante
Ah, mas eu senti tanto
E aqui vai um agradecimento especial às músicas tristes, aos episódios que me ocupavam o tempo todo, à faculdade, às cervejas que tomei até tarde no bar, aos dias de sol que me enchiam de lembranças familiares, aos amigos que me mandavam ficar de boa e a tudo que comi pra me sentir menos vazia.
E no ano que vem, prometo fazer tudo de novo
Um pouco pior.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Rima de sono

Eu decidi passar frio
Lembrei de quando nadava de biquíni no rio
E de todas as vezes que chorei no meio-fio
Eu decidi me cobrir
Lembrei de todas as vezes que você esteve aqui
E de como isso me fazia rir
Eu decidi rimar à toa
Lembrei de quando disse que nisso eu era boa
Mesmo que não importasse o quão ridículo minha rima soa
Eu decidi escrever algo engraçado
Lembrei que nisso eu sou fracassado
E que pioro quanto tento fazer algo forçado
Eu decidi escrever algo com sentimento
Lembrei que cada palavra anseia por um momento
E não me surpreenderia se eu encontrasse textos iguais, sensações iguais ou qualquer tipo de expressão, em algum outro tempo.

Bem ruim

Ta numa fase tão forte
Todo mundo fazendo poema
Mas poema não sei escrever
Só escrevo o que sinto, o que penso e o que eu quero
Não tem rima nenhuma, sei que posso começar a inventar
Posso fazer você tentar ler
Mas antes eu pergunto
Por que todo mundo rotula alguma coisa, pra ser?

sábado, 15 de novembro de 2014

James Blunt

Tanta coisa que ninguém sabe sobre mim. Coisas até que eu mesma não sabia, mas por repetição, acabamos percebendo.
Percebi que James Blunt me trás algo inconsolável, e que eu só escuto quando quero chorar ou ficar triste, e mesmo assim, é um dos cantores que mais gosto, mesmo sendo totalmente indiferente pra mim. Ah, claro, são sempre as mesmas músicas. Será que ele já está fazendo parte da minha vida? Será que estou namorando platonicamente o James Blunt? Pode ser, ele é a cara de um rolo por aí. Verdade, eu acho ele bonito!
Droga, eu admito que sempre que o escuto, me imagino passando manteiga no pão e tomando suco de laranja, que solta meu intestino. E isso acarreta num mal estar, que... nossa.
Mas eu realmente gosto muito de ouvir o James Blunt sussurrando em meus ouvidos, enquanto fico lembrando das minhas tristezas e das coisas que não voltam mais, que me incomodam demais. James Blunt é tão 2006, e esse ano foi o auge da minha depressão. Criança, que ao invés de brincar na rua, ficava lendo revistas adolescentes e sofrendo por um relacionamento que nunca existiu.
Mas, quer saber, eu sempre terei um lugar reservado na minha vida, no meu coração, no meu pensamento, na minha biblioteca, no meu celular e na minha mesa de café da manhã, pro James Blunt. E isso que ele nem é um dos meus preferidos. Mesmo assim, depois de Tears and Rain, entreguei uma parte do meu coração e dos meus ouvidos à ele. 

Desabafo~

Sabe quando flashes saudosistas lhe vem à mente e isso acaba se estendendo até um ponto em que nada que você faça parece te conformar?
Talvez um abraço apertado, fotos e lembranças.
Nada parece me conformar
Não que seja ruim, e talvez seja este o problema
Por que quanto melhor a lembrança, maior é a dor que me invade?
Eu realmente gosto, e talvez minha vida seja baseada nisso tudo, nesse constante saudosismo.
Sim, você se sente um pouco vazia quando tudo que restou foram lembranças, e que essas mesmas lembranças te motivam a algo muito maior.
Me pego confusa tantas vezes, tentando entender o por que de eu ter agido de tal maneira, e se eu seria tão feliz quanto fui naquele momento.
Às vezes só quero chorar, e às vezes nem quero, só choro.
"Lágrimas começam a rolar do seu rosto quando você perde algo que não pode substituir", já cantava Chris Martin, em Fix you. E falando nele, por que diabos Coldplay me enche de lembranças que me aperta o coração? Todo mundo tem uma banda que te faça torcer a boca e olhar pra baixo, se pegando numa memória tão feliz a ponto de te dar uma pontada no peito e querer dar um rumo novo à sua vida.
E aquele discurso batido do: eu era feliz e não sabia. Claro, nunca fez tanto sentido pra mim. Se as pessoas soubessem o que lhes iam acontecer nos próximos goles de bebida, nas próximas aproximações e nas próximas atitudes, ainda sim, acabariam em lembranças. Será que essa situação toda seja porque agimos inesperadamente e a consequência foi inesperadamente melhor do que pensávamos, se é que pensávamos?
Eu realmente queria poder reviver todos os momentos que me sufocam. Sim, eu deveria ficar feliz ao lembrar deles... E eu fico! Mas o problema é que eu queria repetir tudo isso, e sabe por quê?
Medo
Medo de que minha felicidade toda tenha se prendido naqueles momentos que não voltarão mais.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Eu expus meus textos
pra um bom número de pessoas
Não que todas elas leram, mas alguns gostaram
Por muito tempo tive medo da rejeição
Mas meus sentimentos podem ser compartilhados
e entendidos
e identificados
Então eu recebo elogios, e sorrio, agradeço
Mas agradeço muito mais a quem leu e sentiu algo
a quem se sentiu ofendido, perturbado
Meu muito obrigado a natureza humana
Não faço poemas
Não sei rimar nas estruturas
Escrevo assim porque gosto
Porque não sei lidar com acentos
Muito menos com vírgulas
Prefiro continuar sem pausas
E se for pra pausar
Que seja de uma vez
E se diz que não escrevo textos
Escrevo meus demônios, então
Ainda que eles não caibam em palavras digitadas
E tampouco em linha pós linha