sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Chuva incessante

Com os olhos semicerrados e o ouvido aguçado
Teus primeiros sinais, não é novidade alguma
O barulho que causa amor e ódio
Cansaço ou inspiração
Chuva de verão?
Cidade molhada
Felicidade alagada
Compromissos, tênis encharcado
Sombrinha sem descanso
Melancolia infinita
No fone, as mesmas músicas
Desculpa, chuva não combina com festividade 
E tem como ser feliz nesse luto climático eterno?
Hibernei minhas emoções
Dancei um tango com a solidão
E aceitei
Se amanhã ou depois fizer sol
A sequela desse tempo estará em mim
E bem que poderia continuar assim

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sentada no banco do passageiro, com meu cigarro tragado pelo vento forte, com a janela aberta e você a 110. As luzes dançando conforme os movimentos das minhas pálpebras, e no rádio uma música que me preenche de cenas saudosistas.
Seu olhar fixo na pista e minha presença distraída de você e tão presa nos meus pensamentos.
Estamos.

Uma conversa com o passado, presente e futuro

Querida dor,
Eu espero que esteja bem, de novo
Lembre que um dia eu sofri assim também
E a vida não tem nada a ver com nosso fracasso
Tudo é uma escolha
O que você escolheu?

Querido prazer,
Eu espero que não esteja decepcionado
Por eu ter o deixado de lado
As pessoas não são dependentes uma das outras
Talvez suas emoções sejam
Mas você não
Quem você escolheu?

Querida expectativa.
Eu espero que não cresça
Às vezes, precisamos nos manter firme
Às vezes é só questão de momento
Você é maior que isso
O que você queria ser?

Querido eu,
Eu espero que finalmente tenha entendido
Lembre que um dia eu desisti
E a vida não é aquele momento desesperador
Uma emoção não te torna quem realmente é
A vida, ela é momento, momentânea, pensamento
E você é amor, sorriso, é lágrima e muita dor
E tudo é superar, e quase nada vai durar
A não ser o que ainda pode consertar
E mesmo assim, você erra, e acerta
Mas nunca sabe o que vai se tornar
Não quero que seja princesa, jogador de futebol ou astronauta
Quero que seja humana, humano, homem, mulher
Mas seja sempre aquilo que quiser

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Num dia chuvoso, gelado e escuro
Na janela de um ônibus que nunca me leva ao meu destino
Eu te vejo em todas as esquinas
Eu tento imaginar seu beijo
E eu tenho mais do que posso imaginar
Eu tenho a certeza de que nunca chegará
Mas eu espero, e eu desejo
Meu desejo toma todos os meus pensamentos
E só você está aqui
Porque é uma loucura lasciva

sábado, 14 de fevereiro de 2015

É um dia chuvoso, gelado, melancólico, injustificável. Cercada por posters, letras, fotos, memórias e lembranças. Tinha tudo pra dar errado, mas não está dando. Estou triste por não conseguir estar triste, por não me importar e cagar pra sentimentalismo alheio. Ah, como eu queria estar esperançosa e deprimida, mas só consigo pensar no quanto eu queria estar. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Carta de recuperação sentimental

Olá.
Como vai você? Eu estou bem, quer dizer, estou me reconstruindo. Por muito tempo achei que não passaria, achei que doeria pra sempre, até parar de sangrar. Como você conseguiu transformar tanto amor em dor, dentro de mim? Bom, isso não importa mais. Eu não estou com raiva, nem estou querendo nada de você, muito menos um pedido de desculpas ou palavras bonitas, só queria te agradecer, ainda que pareça contraditório.
Eu queria agradecer por ter me ensinado o que amar pra valer, e o que é se decepcionar e sofrer como nunca achou que pudesse. Mas a vida é assim, o amor é assim, e você não foi diferente. Mas por que eu deveria por a culpa de tudo em você? Você não teve culpa de tudo, assim como eu também não. Podemos pensar que os dois foram culpados, mas eu prefiro pensar que ninguém tinha culpa de nada. Talvez tivéssemos culpa quando ainda existia sentimentos, mas já passou, foi um aprendizado a mais e um relacionamento a menos.
Como saí dessa? Quando minhas lágrimas secaram? Quando eu perdi as esperanças? Quando eu parei de te procurar em outras pessoas? Quando eu parei de te enxergar em tudo que me lembrava você? Quando eu parei de te amar? Bom, eu não sei. Talvez a cada vez que eu me decepcionava, ou cada gelo que eu recebia, eu tinha que me tornar mais forte, tinha que te priorizar menos. Isso doía tanto, mas agora não consigo mais lembrar e cair em lágrimas, como eu fazia antes. Talvez eu tenha lembrado de te amar, e deixado o sentimento um pouco de lado, um pouco distorcido. Mas olha só, o que eu posso dizer é que não tem muito a se fazer, senão esperar. E isso, infelizmente, é verdade. Mas o processo de superação é tão doloroso, parece que você vai explodir de tanto chorar, e às vezes, pode até sonhar demais com a pessoa, desejar apenas um beijo ou um abraço, até mesmo uma briga, desde que a pessoa esteja ali. É ridículo, é louco, mas acredite, é bem mais doloroso pra quem sente.
Acredite, isso passa quando nós menos esperamos. É gradativo, não tem explicação, não tem porque, e de repente não tem mais choro, também. Mas as lembranças permanecem pra sempre, e uma recaída ou outra é perfeitamente aceitável. É tanta coisa pra dizer, tanta coisa que senti, mas quero que fique algo bonito, podemos ignorar as memórias ruins.
Não vou dizer que te desejo tudo de bom, porque não sou masoquista a tal ponto, mas te desejo que lembre sempre dos bons momentos que tivemos juntos, e que não cometa os mesmos erros com a pessoas que estiver do seu lado. Eu realmente espero que não tenha sido em vão.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Lágrimas, papeis e decepções

Desconto nas lágrimas a minha esperança inútil, e o peso de senti-la
Poderia eu, esquecer todos os momentos que me enchem de pesar?
Guardo meus amores em uma caixinha, e os abro ocasionalmente, e sinto pedaços do meu coração se dissolvendo
Leio cartas só pra poder chorar um pouco e tentar esquecer, mas sempre acabo lembrando e o choro vem em dobro
Disso tudo me resta a esperança de um dia ser amada e o desespero por não querer mais sentir.